sexta-feira, 16 de outubro de 2020
Autobiografia
sábado, 19 de setembro de 2020
Estamos em Trôade?
Hoje fomos pela primeira vez a um culto de sábado presencial desde o início da pandemia de COVID-19. Ainda há várias diferenças. Diversos assentos estão marcados com um X significando que não podem ser usados, com o fim de limitar o número de pessoas; a programação foi reduzida para 50min e cumprimentos somente com aceno.
O pregador, na IASD Jaraguá, falou sobre Atos 16:6-10. Paulo queria pregar o Evangelho na Ásia, mas foi impedido pelo Espírito. Depois, tentou ir para a Bitínia, mas também o Espírito Santo não permitiu. Mesmo assim ele não ficou parado. Ele ia para onde Deus permitia, então desceu para Trôade sem impedimento. Lá, teve uma visão mostrando claramente a vontade de Deus que ele deveria ir para a Macedônia.
Nenhuma explicação é dada a Paulo sobre por que ele foi impedido de ir para onde ele queria. Não era como se ele fosse fazer algo errado lá. Seu plano era pregar o Evangelho. Assim como João Batista na prisão, Paulo não estava compreendendo os caminhos divinos, mas da mesma forma que o primo de Jesus, Paulo descansou seguro na direção de Deus e permitiu ser guiado, mesmo sem saber para onde.
Às vezes, na vida, temos momentos em que nos deparamos na mesma situação. Não compreendemos a vontade de Deus. Estamos em algum lugar tentando fazer algo que nós julgamos ser bom mas que não está indo pra frente, sem explicação clara. Eu e Yarin passamos por isso quando estávamos "colocando todas as fichas" do nosso futuro em ser missionários na Angola; na verdade nem fomos nós que escolhemos esse país, mas era para onde achávamos que estávamos sendo guiados. Quando as coisas não foram dando certo, nos sentimos como Paulo, intentando ir para um lugar, mas o Espírito não permitindo. Não sei o motivo. Sabemos que nossa permanência em Campos em 2018 foi uma bénção. (Eu e Yarin pudemos testemunhar e ensinar a Bíblia para uma senhora em Ribeirão Preto; aprendi muito de clínica médica ao atender os pacientes em Quissamã, e também de uma forma totalmente não planejada por mim, Deus me usou para abrir as portas de um trabalho para o meu pai). A especialização em Cirurgia do Aparelho Digestivo também tem me ensinado bastante cada dia mais.
domingo, 30 de agosto de 2020
"Pastor Gabriel"?
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Prisioneiros no Desfile de Vitória de Cristo
"Mas dou graças a Deus porque, unidos com Cristo, somos sempre conduzidos por Deus como prisioneiros no desfile de vitória de Cristo." 2 Corintios 2:14 NTLH
Hoje lemos 2 Corintios 2 pela manhã, e esse verso me chamou a atenção. Traz à mente Cristo como vencedor na batalha entre o bem e o mal, em seu desfile de vitória, e nós como recém libertos do poder do mal, seus "prisioneiros" seguindo aonde quer que ele vá. Não quero levar essa comparação a todos os seus aspectos, mas apenas ao seguinte. Cristo é quem nos conduz na jornada da vida. Não há nada que precisamos temer quanto ao futuro. Amém?!
Gabriel
domingo, 19 de janeiro de 2020
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Saracá
SARACÁ – MINHAS IMPRESSÕES
6. Por uns instantes, fiquei debaixo d’água, e totalmente desorientado. Um banho de água fria de cabeça para baixo. Felizmente, logo encontro ar. Tudo é escuridão, gritos e água. Meus pensamentos vão diretamente para as duas moças, Hildchen Litaiff e Joany Sales, que estavam no mesmo convés, e cujas mães haviam confiado à minha proteção naquela viagem. Grito seus nomes. Respondem. O ABCDE do ATLS vem com rapidez à minha mente: A de Aiways, ou seja, a prioridade no resgate são as pessoas que não estão respirando, nesse caso, as que estão ainda embaixo d’água. O barco apenas tombou de lado, de forma que as pessoas puderam se apoiar no barco com segurança. Após gritar os nomes das outras pessoas do mesmo convés, e notar que todas estavam bem, meus pensamentos se dirigiram aos passageiros do convés inferior. Passo por uma passagem na tela de mosquito (que Diego prontamente havia feito em socorro a sua amada Dieyne) e me dirijo diretamente à janela do camarote da proa. A água ocupava toda a cabine, e estava ao nível da janela. Rasgo a tela de mosquito e coloco meu braço para dentro da janela, tentando apalpar algo, enquanto tento lembrar quem eram os ocupantes daquela cabine, dos quais eu mal sabia os nomes.
11. Após reanimar Aníbal, Diego se junta a mim e ao Roger nas buscas por Dafne. Para facilitar o mergulho, ele deixa todas as roupas irem com as ondas e desce ao camarote só de sunga. Desce com uma corda presa ao braço, para poder ir mais longe. Ficamos nos revezando no mergulho, eu Roger e Diego. Cada vez que mergulhava, tinha a esperança de encontrar Dafne, e trazê-la para a superfície. Ao voltar, o alívio de encher os pulmões era misturado à frustração de mais uma busca sem sucesso. Vale notar que o senso de perigo e de autoproteção estava bastante diminuído, tendo em vista o estresse emocional da situação. Dessa forma, fomos ousados e entramos profundamente no camarote. Como era uma suíte, entrei também no banheiro. Fui até a proa, por dentro do camarote, e também até o corredor que dava passagem para a cozinha, até o limite da corda presa a meu braço, que infelizmente não permitia ir mais fundo.
12. Como mencionado anteriormente, no momento inicial fiquei alheio aos acontecimentos que ocorreram simultaneamente em outras partes do barco no momento do acidente. Estava concentrado no salvamento dos ocupantes do camarote da proa. Nesse período aconteceram todos os salvamentos dos outros voluntários que haviam ficado presos. Portanto, descreverei tais episódios segundo as informações colhidas, posteriormente, dos próprios voluntários. Nos momentos que antecederam a virada, Roger Alves encontrava-se preocupado e decidira não dormir. Estávamos nas redes, no convés superior, que era uma área sem divisões, com teto, e aberta por todos os lados. Uma cerca de madeira protegia as laterais, e toda a abertura era protegida por uma frágil tela de mosquitos. Por causa da chuva, haviam sido baixadas lonas laterais, que protegiam os ocupantes. Roger percebeu que a força do vento sobre as lonas estava fazendo o barco virar. Rapidamente, começou a levantá-las. Ao ver isso, Hildchen e Joany, que estavam acordadas, começaram a sair de seus sacos de dormir para ajudar Roger. Dona Ruth também se levantou. Foi a salvação das duas moças. Antes que terminassem de livrar-se completamente dos sacos, o barco virou. Nesse instante, Roger corre em direção à popa (parte de trás do barco) e pula, de cabeça, para fora, antes de o barco ter terminado de virar. Desesperadamente, começa a nadar em direção à praia, a cerca de 300 metros. À sua mente, vêm os pensamentos “Serei o único sobrevivente?” e “Preciso me salvar para ajudar minha família!”. Roger é natural de Manicoré, pequeno município do interior do Amazonas. Sem pai e com muitos irmãos, Roger conseguiu a façanha de ser admitido na Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas. Com a esperança de ele crescer na vida, e ser um apoio à família humilde, a notícia foi recebida com alegria a todos os parentes. Agora, com a morte diante de si, Roger se lembra da família. Precisa sobreviver para ajudá-los. Saiu nadando em meio à escuridão. Apenas o ar em cima e a água embaixo. Nenhuma luz. Assim como a Terra, no princípio. Após algumas braçadas, olhou para trás temendo ver o pior, e viu que o barco não tinha afundado. Pensou que alguém poderia estar vivo, em perigo, e a esperança o fez retornar ao barco. Subiu na parte traseira do bordo direito do barco e, sem ver ninguém, começou a quebrar as janelas e a gritar “Tem alguém aí?” As ondas eram fortes desse lado do barco e, somente quando recuavam se podia alcançar a parte interna mais inferior do convés inferior. Além disso, o breu da noite limitava a visão. Roger já havia quebrado a segunda ou terceira janela, quando, por uma estranha coincidência, a onda recuou e ao mesmo instante um relâmpago iluminou a noite; e à frente dos olhos de Roger apareceu uma mão, estendida, ainda sob a água, no interior do barco. Não se via o corpo, entulhado sob os objetos. Sem demora, Roger puxou a mão com toda a força e o Dr. Ricardo faria apareceu na superfície, buscando o ar desesperadamente. Logo atrás dele, surge o Dr. Renato, que estava ainda mais no interior do barco, preso sob o Dr. Ricardo. Ambos respiram e estão bem, apesar de grandemente chocados.
13. Nesse instante, Roger vê Bradley andando desnorteado pela lateral do barco. Os três (Bradley, Ricardo e Renato) estavam dormindo no mesmo camarote, e no instante do acidente, correram desesperadamente para a cozinha do barco, em busca da saída. Brad foi à frente, seguido por Ricardo e Renato. Brad se lembra de ter ficado preso por uma mesa, na cozinha, e depois só se lembra de estar andando seguro na lateral do barco. Ver relato do próprio Bradley para mais detalhes sobre esse incidente.
14. Havia mais um camarote no barco, onde quatro pessoas ficaram presas. Esse ficava no convés principal (e não no porão do barco como os outros dois). Nele, estavam Elisangela, Cione, Dona Francisca e o Paulo....
Não concluí na época, então vou completar agora.
14. Na mesma noite, Paulo saiu com uma equipe numa voadeira pra buscar as bolsas das pessoas do barco. Todas foram encontradas, inclusive meu saxofone dentro da capa, que estava boiando. Esse é o saxofone que ganhei quando tinha sete anos e que uso até hoje. Tudo foi encontrado, exceto a mochila de Diego Jhonathan. Alguns dias depois, ela foi boiando até uma casa de praia, e as pessoas de lá conseguiram fazer contato com Diego com as informações que tinha nas coisas da mochila. Marcaram com ele de entregar as coisas na casa deles em Manaus, no condomínio Parque Residências. Diego foi até lá de moto, agradeceu e buscou a mochila. Quando voltou para a moto, percebeu que tinha esquecido a chave na casa da pessoa. Voltou à casa da pessoa para buscar a chave, e a pessoa perguntou sobre o celular, que Diego tinha perdido no naufrágio. Diego falou que por enquanto estava sem celular. Então a pessoa foi e deu para ele um celular que não usava mais, mas que ainda assim era muito moderno para a época.
15. Havia mais um camarote no barco, onde quatro pessoas ficaram presas. Esse ficava no convés principal (e não no porão do barco como os outros dois). Nele, estavam Elisangela, Cione, Dona Francisca e o irmão Paulo. Paulo, Elisângela e Cione conseguiram sair assim que o barco estava virando, mas dona Francisca ficou para trás. Ela era a cozinheira da missão. Uma senhora viúva muito simpática, que havia trabalhado em lanchas muitas vezes com seu falecido marido, e tinha aceitado o convite para ir viajar dois dias antes de sairmos! Ela foi inundada pela água que entrava com violência no camarote, então levantou as mãos para o céu e pensou "Meu Anjo! Estou preparada! Pode me levar!" Nesse instante, Paulo alcança sua mão e a puxa para fora!
16. Realmente não estou me lembrando da história envolvendo uma corda azul. Lembro vagamente que levei uma corda, que deve ser essa, e que depois vi as pessoas usando para alguma coisa, mas infelizmente não lembro de mais nada.
17. Quando chegamos à praia, fui à comunidade telefonar para minha mãe e dizer que eu estava bem. Uma coisa rara no interior, essa comunidade tinha sinal de celular, e eu usei o de uma pessoa emprestado. Os ribeirinhos fizeram uma fogueira para nos aquecer, e trouxeram roupas secas para nós, e dormimos ali na praia.
18. Acordei com o barulho das hélices de um helicóptero. Alguém tinha acionado a marinha e eles estavam checando a situação.
19. Fomos evacuados em um navio da marinha. Ofereceram camarotes para ficarmos deitados, mas o susto ainda estava muito forte e preferimos ficar ao ar livre mesmo.
20. Após o acidente, minha próxima viagem missionária foi em um catamarã. É um barco com dois cascos, e o risco de tombar é praticamente zero. Mesmo assim, quando começou a chover, peguei uma capa de chuva e fiquei lá fora até a chuva passar. Depois me acostumei, mas sempre com precaução.
Gabriel
Diário de Bordo - Experiência no Exército Brasileiro - Logbook.
UIRAMUTÃ
A princípio, eu ia ficar em Uiramutã uma ou duas semanas, até o próximo médico vir me substituir. A viagem para lá foi o percurso mais acidentado que já fiz na vida, e talvez o mais bonito e perigoso. Algumas pontes de madeira davam medo. Filmei com o celular alguma coisa. Soube que outro médico que tinha servido antes teve dois dos pneus furados e teve que esperar um guincho. O tempo foi passando e a vinda do médico se atrasava. Nesse período por vezes faltava água, às vezes energia e às vezes internet. Um dia, durante a visita do comandante da companhia (2a Companhia do 7o Batalhao de Infantaria de Selva), o Major Zanini, faltou água, internet e energia ao mesmo tempo. Fizemos missões de ajuda humanitária nas comunidades ao redor, e o caminhão, a 5 ton, tinha que passar por pontes de madeira às vezes bem precárias. Em uma dessas passagens, o chefe de viatura (oficial mais antigo da viatura) falou pra passar pelo riacho, sem confiar na ponte; e ficamos atolados, esperando outra viatura rebocar. Houve uma revista surpresa aos armários dos soldados, e eu fiz uma apreensão de drogas no armário do soldado X, que foi preso e depois transferido para Boa Vista. Em um dos sábados, fui escalado como oficial de dia, mas me recusei a portar a arma, que ficou com o Ten. Luciano, comandante do Pelotão. Havia muitos mosquitos no meu quarto. Nos momentos de isolamento, chegava a conversar com eles, quando desistia de tentar matá-los. Houve um caso de coqueluche, do sargento de saúde que trabalhava também no posto de saúde local, que atende pessoas de fora do Brasil. Como ele tinha identidade indígena, foi removido de avião pela SESAI. Os aviões pequenos eram chamados de Papatango, pela sigla PT que levam, do alfabeto fonético internacional. Dei uma instrução de drogas e outra de primeiros socorros. Na instrução sobre drogas, falei sobre o álcool ao final. Logo depois da instrução, ia acontecer um churrasco no pelotão com bebida alcóolica. Em uma das instruções de tiro que acompanhei ali, pude disparar com pistola e fuzil. Houve um tiro acidental do subcomandante, mas foi em direção ao chão e não houve feridos. Diversas vezes, o Dr. Jaime, que ia me substituir, tentava se dirigir ao pelotão, mas a vinda dele era adiada, de forma que eu já estava há mais de 30 dias lá. Uma caixa com latas de carne vegetal da Superbom que um amigo de Boa Vista (o Felippe) mandou foi o que me salvou. O feijão do rancho geralmente tinha bacon, e às vezes o arroz também. Em um dos dias, só o que tive pra comer era alface. Em outro, nem alface. Emagreci. Foi quando li a respeito das provações que duraram quarenta dias na Bíblia. É algo que se repete. Senti que comigo ia ser a mesma coisa. Quando estava com 37 dias, me disseram que no dia seguinte seria rendido, o que acabou sendo frustrado e adiado para o dia 39 da minha estada lá. Foi quando percebi que também seria frustrado naquele dia e adiado para o dia 40, para ser correspondente ao que tinha lido. E foi dito e feito. No dia 39 não veio ninguém, e sim no quadragésimo, quando saí de lá, confiante de que Deus tinha um propósito para aquele período.
Em Uiramutã também foi onde encontrei uma família de adventistas que tinham se convertido na Guyana por missionários do Gospel Ministries International, com uma história incrível, que relatei em outro post.
BONFIM
Indo de 5ton de Boa Vista a Bonfim, um dos pneus estourou e fez um barulho parecido com tiro de fuzil. Eu estava na carroceria. Ela desviou para a outra pista, da contramão, mas graças a Deus não vinha nenhum carro.
Durante uma visita a Lethem com o irmão Celso, ele cochilou ao volante e desviou o carro para a outra pista, voltando justamente a tempo de passar uma caminhonete que vinha. Estávamos o seguindo e vimos tudo de perto. Graças a Deus pelo livramento.
Em uma remoção de militar com lesão de tendão do joelho por futebol, de Bonfim a Boa Vista, uma ave (carcará ?) se chocou contra o vidro da frente da ambulância e o destruiu.
Devido à grande quantidade de lesões tendinosas no futebol, o esporte foi proibido no pelotão pelo Major Zanini.
Os dois sargentos que estavam há mais tempo em Bonfim eram o Sgt Bezerra e o Sgt Ferreira, que dirigia a ambulância. Os sargentos de saúde eram o Sgt Vanderson e a Sgt Cleo, um casal. Ele é guerreiro de selva.
SURUCUCU
Surucucu foi o pelotão de fronteira mais isolado que já fui, mas também o que tinha melhor conexão com a internet. A pista de pouso recebe o nome do Ten Nogueira, um tenente médico, que faleceu em um trágico acidente aéreo com helic[optero naquele pelotão. A história tem similaridades com essa notícia e essa também de 2011.