quarta-feira, 11 de abril de 2018

Saved by Two Dogs


Esse post é a versão em inglês do post "Salvos por Dois Cachorros". Fiz pra um relatório de missão e resolvi postar aqui.

In march 2010 I volunteered as a translator for a Loma Linda University mission trip towards Rio Negro river in the brazilian Amazon. As a medical student, I was also interested in the medical work as well. In one of the villages, a boy had been diagnosed by our volunteer pediatrician with Tetralogy of Fallot, a heart defect present at birth that if left untreated would lead him to almost certain death in the next years. The University was helping to provide the surgery for this boy, and one of their journalists, Patricia, was filming a documentary about the boy.

Patricia filming in the village
Dr. Ricardo, one of the brazilian doctors reminded that, in 2001, a group of volunteers from the Adventist Hospital in Manaus had diagnosed the same disease in another kid during a medical mission trip to a nearby village. The girl, named Gisele, was submitted to surgery and had a normal life (she later was also baptized and became a Seventh-Day Adventist). Then Dr. Ricardo suggested Patricia to also film Gisele's story and film her. Everybody agreed. Gisele's village, Saracá, was some couples of miles down the river. Then, all the volunteers stayed at the big boat while Dr. Ricardo, Patricia, a friend of her that would be the reporter, one of the crew and I left for Saracá in on the small boat.
Small boat
It was the middle of the afternoon when the boat engine suddenly slowed down and finally stopped, in the middle of the river! River navigation here follows a rule that says that every boat that is going downstream should go in the middle, while the ones going upstream should be on the margins. That makes sense because the river is faster in the middle, which helps the person going in the same direction of the river. We were downstream, so we were far from the margins. The crew man started to work on the engine, but wasn't having any success.
Stopped engine

The volunteers stranded
There were no boats in sight for us to ask help. Dr. Ricardo also know about boats, but couldn't help either. The american volunteers seemed not much aware of how bad the situation was. We prayed and the man continued working on the engine, but it remained unable to start. Soon it was going to be dark, and we needed to at least reach the margin. I asked Dr. Ricardo if I could jump in the water and slowly pull the boat aside, with a rope, and he consented. So we slowly approached the margin and were able to disembark.
Pulling the boat to the margin
We stopped at a beach surrounded by the forest. The crew man continued working on it while Dr. Ricardo was walking aroung looking for firewood to start a bonfire, in case we needed to spend the night there. However we had nothing to start the fire. Then, Dr. Ricardo asked me to translate for the girls asking if they had in their bags anything that could make fire. When I explained why we were thinking on making a bonfire, they seemed more desperate and started to prepare and became ready to make some noise if any boat passed by.
Trying to fix the engine
The boat at the beach
The sun was almost setting down when we spot a canoe going up by far from the margin. It was a hunter and his two dogs. The man was in the back of the canoe next to the engine, and because of its noise, could not hear our cries and whistles from the margin. He didn't notice us shaking our arms and lifejackets. He was almost going away from us when somehow the dogs noticed our movement and called his attention to us. He, then, turned around and gave us a ride back to our big boat and the rest of the group.
The hunter and the volunteers back to the big boat.
He is holding a Bible I presented him with.

The hunter's dogs
It was already dark when we arrived. Dr. Ricardo payed for the ride, and I gave him a Bible. In the Holy Book, God used crows to feed Elijah, a big fish to save Jonah, and a donkey to save Balaham's life. I believe that in this trip He used those two dogs to rescue us. That we may put ourselves in God's hands and feel His guidance in our lives.

Gabriel

Update

Essa semana visitamos o consulado da Angola e conseguimos nos sentir um pouquinho já naquele país. Soubemos que a única coisa que falta praticamente é a carta-convite que será emitida pela União na Angola que irá nos receber. No momento, a expectativa é que essa carta fique pronta o quanto antes, se possível antes do fim de Abril. Vamos manter o blog atualizado de acordo com o que for acontecendo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Atualização - Missão na Angola

Estou escrevendo essa postagem para manter o blog atualizado sobre o que já tem acontecido e o que ainda falta. Em janeiro estivemos na Universidad Adventista del Plata, onde foram bastante receptivos conosco, fizemos amigos, encontramos família e pudemos ter uma experiência única no hospital adventista mais antigo da América do Sul. Fizemos o curso "Passaporte para a Missão", e a aplicação no site do AdventistVolunteers.org e agora estamos aguardando os próximos passos de tirar os vistos e comprar as passagens.

Gabriel

sábado, 6 de janeiro de 2018

Combinação Perfeita

" Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. "
Mateus 7:7
Em janeiro de 2012, me voluntariei para participar de uma viagem missionária às comunidades próximas a Barreirinha-AM, durante as férias da faculdade. Na base do Projeto, em Manaus, e ficamos alguns dias aguardando os reparos finais no Catamarã, barco com nome de Salva Vidas II que havia sido doado de um senhor da Flórida para a missão no Amazonas.  É um barco muito bom porque tem dois cascos (vide foto), e isso dá uma boa estabilidade. Em cada casco há um motor, e no meio há um vão. Ao final de alguns dias, o barco estava pronto para zarpar. A equipe consistia no comandante Joca, o coordenador da base de Barreirinha enfermeiro Daniel Lessa, sua esposa enfermeira Náissen Lessa, e um casal de obreiros que iria ficar em uma das comunidades, além de mim. Eu estava no quarto ano de Medicina e podia ajudar com os atendimentos. Além disso, tinha tirado uma licensa para pilotar barcos, e poderia auxiliar no leme. 


Catamarã sendo preparado para sair na missão

Daniel Lessa, coordenador da base de Barreirinha

Naissen Lessa, esposa do Daniel e enfermeira

Joca, no comando do barco, e o obreiro

A mascote do Catamarã

Outra foto da mascote do Catamarã

O plano era descer pelo Rio Amazonas até a entrada do paraná do Ramos (paraná é um atalho de água, ligando dois rios, ou dois pontos do mesmo rio), e depois seguir por esse paraná até Barreirinha. Quando estávamos talvez na metade do trajeto pelo rio Amazonas, o Joca permitiu que eu assumisse o leme por algum tempo, pra ele poder descansar. Eu estava feliz pela oportunidade de ajudar. Depois de algum tempo, percebi que o barco estava muito devagar, apesar da força normal do motor. Pedi ajuda do Daniel. Então vimos que apesar dos dois motores estaresm ligados, apenas um lado causava espuma na água. Paramos o barco em uma margem e Joca mergulhou pra ver o que havia de errado.

Joca se preparando para mergulhar e ver o que há de errado com a hélice (palheta)
Na água
Na água 2
Notamos que aquele lado estava sem hélice (chamada de "palheta)". Por algum motivo, ela havia se soltado e se perdido nas profundezas do Amazonas (que pode chegar a 100 metros de profundidade). Havia outra palheta sobressalente no barco, mas ela não se prendia ao eixo do motor porque faltava uma peça, uma "chaveta", que se encaixa ao mesmo tempo na hélice e no eixo, dando firmeza. Na foto abaixo se vê um exemplo do local onde se encaixa a chaveta.

Exemplo de hélice de barco com uma fenda para a chaveta

Sem a chaveta a hélice não se firmava, e quando o motor era ligado, soltava-se e se perdia no rio. Tentamos improvisar utilizando pedaços de metal no lugar da peça, mas não dava certo. Como é um barco estrangeiro, os ribeirinhos também não possuíam esse tipo de peça. Tristemente, tivemos que parar. Passaríamos a noite numa margem, e pela manhã voltaríamos a Manaus pra procurar a peça. O irmão obreiro teve que descer pra ajudar a manobrar o barco, que estava com apenas um motor funcionando.

O irmão teve que descer para ajudar a manobrar o barco
Depois de tanto tempo, teríamos que voltar por causa da falta de uma peça de metal de 4 centímetros, quadrada (na verdade um prisma quadrangular), do tamanho de um parafuso! Além disso, nem sabíamos se a acharíamos em Manaus, visto que era um barco americano, de peças diferentes do comum. Oramos a Deus. Eu particularmente orei bastante aquela noite. "Senhor, o senhor nos trouxe até aqui para voltarmos?!" "Será que em todo esse barco não há nenhuma peça que sirva?!" "Se existe essa peça, por favor me mostre", era a minha oração. 

No dia seguinte, revirando todas as ferramentas e materiais do barco, em oração, encontrei uma maçaneta de porta sobressalente, mais ou menos como a dessa foto.

Maçaneta
A peça de encaixe da maçaneta na porta era de metal, quadrangular, exatamente do tamanho que faltava na hélice. Ela se soltava da maçaneta, de forma que não foi preciso serrar. Colocamos na hélice e encaixou perfeitamente, como uma luva! Ligamos o motor, e a peça passou no teste! Glória a Deus! "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis". Não sei os motivos dEle, mas sei que às vezes Ele permite que certas circunstâncias aconteçam para que O busquemos e encontremos firmeza nas Suas promessas, fortalecendo nossa fé. Esse episódio ficou bem marcado, e certamente fortaleceu a fé de todos que estavam iniciando aquela viagem a serviço de Deus. A viagem prosseguiu e cumpriu o objetivo nas comunidades próximo a Barreirinha, no rio Massauari.

Culto de pôr-do-sol após tudo resolvido, seguindo viagem

Equipe do Salva-Vidas II

Daniel fazendo retirada de corpo estranho em coxa (pedaço de madeira)

Aplicações de flúor

Presentes dos pacientes
Mais flúor

Saindo de voadeira. Boné improvisado com papelão.

Chuva

Soninho após o almoço

Zzz...
Oi? Comida?




Gabriel

Missão no Rio Copeá

Em julho de 2011 participei de um evangelismo na comunidade de São Francisco do Camarão, no rio Copeá, perto de Coari. Esse rio corre paralelo ao Solimões, então serve de rota de tráfico de drogas, longe do rio principal. Os ribeirinhos compareciam as reuniões, e gostavam muito de ouvir o Pr. Luís Goncalves. Após vários irmãos aceitarem a mensagem, preparamos uma praia para receber o batismo. Era na outra margem do rio, uma praia de areias claras, mas cheio de plantas aquáticas tipo aguapé (esqueci o nome que os ribeirinhos usam pra essa planta).
Aguapé
Então limpamos as plantas e fizemos uma ornamentação em formato de cruz sobre a água, olhando de cima, com flores locais. Num momento enquanto estávamos dentro da água, um dos irmãos foi ferroado por uma arraia. Elas ficam camufladas sobre a areia embaixo d'água, e têm uma ferroada muito dolorosa.
Arraia de água doce camuflada

Mesmo assim, os irmãos e o pastor entraram nas águas para o batismo, e a cerimônia ocorreu sem outros incidentes.
Nessa viagem, tinha levado muitas escovas de dente e flúor para fazer trabalho de prevenção e saúde bucal com as crianças. Eram escovas cedidas pelo Hospital Adventista de Manaus. Era uma excelente maneira de abrir as portas das comunidades e dos lares, porque geralmente ninguém recusava receber uma escova de dente de graça, e então se estabelecia uma ponte de comunicação. Já tinha feito a palestra e distribuído escovas para todas as crianças daquela comunidade.
Palestra e Aplicação de Flúor na Comunidade S. Francisco do Camarão

Crianças da Comunidade e Voluntários da UAP
Então resolvi fazer o mesmo trabalho abrindo portas nas comunidades rio acima, onde não havia presença adventista. Um dos irmãos me passou os nomes das pessoas a quem eu devia procurar quando chegasse lá. Não passava barco todo dia, então eu teria que passar pelo menos dois dias, e essas pessoas iam me receber. Tomei o barco e não perdi tempo. Era um barco com dois conveses (dois "andares"), e fui de rede em rede oferecendo palestras de saúde bucal e aplicação de flúor gratuitas. Todas as pessoas do barco receberam, inclusive o comandante e a tripulação. No final, quando fui descer, nem me cobraram a passagem. Oh Bénção! Desci e logo perguntei pelo agente de saúde. Ele tinha viajado. Perguntei então pelo líder da comunidade. Tinha ido à cidade resolver negócios. Meus dois contatos estavam ausentes. A noite estava chegando. Ao longe via a chuva se aproximando.
Tempestade se aproximando pela direita (em outra ocasião)

Lembrei do verso em que Paulo cita o Antigo Testamento para mostrar que quem trabalha é digno do seu sustento. Deus ia prover comida e lugar para ficar, se eu trabalhasse para Ele. "Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário." 1 Timóteo 5:18. Então decidi fazer o que sabia fazer de melhor por aquela comunidade e reuni todas as crianças que estavam brincando para conversar sobre a saúde dos dentes. No final, se todo mundo estivesse atento, ia ganhar uma escova de brinde.
Crianças de Sta Maria do Poção

Após aplicação de flúor
Estava terminando quando chegaram duas crianças de uns quatro anos de idade. Eram os filhos do líder da comunidade, que tinha acabado de chegar. Depois, fui com eles para falar com seu pai. Pedi a ele autorização para amarrar minha rede embaixo de um galpão para me proteger da chuva e passar a noite ali. Ele disse que eu ia dormir na casa dele. Enquanto me preparava para dormir, ouvi as crianças gritando: "Eba! Pato!", então tive uma dica do que seria a janta naquela noite. Sabendo que o homem era evangélico, da igreja Batista, me preparei para explicar pela Bíblia por quê não ia poder comer pato. Abrindo em Levíticos, vi que para as aves, não existe uma regra geral como para os insetos e mamíferos. Alguns falam que a presença de membrana entre os dedos é uma regra, mas isso não está na Bíblia. Ela apenas dá uma lista de vinte aves as quais não podemos comer. E o pato não se encontra lá. O mais parecido é o cisne e o pelicano. Então, quando o irmão me perguntou se eu comia pato, respondi "Nunca comi não irmão, mas hoje vou comer aqui na casa do senhor." Me esforcei e comi aquele pedaço de carne, orando para não vomitar. Sou ovolactovegetariano, mas pato era o que tinha para comer, e pato eu comi. No dia seguinte, ganhei uma carona até a comunidade seguinte, Vila Fernandes. Lá fiquei na casa do Pr. Sodré e da Pra. Lindalva, da igreja Assembleia de Deus, se não me engano. Me ofereceram para comer "mexira", que eu descobri que é a carne seca do peixe-boi. Claro que recusei! Além de ser carne impura, o pobre animal está ameaçado de extinção! Comprei arroz no mercadinho local e comi com ovos. Ali naquela comunidade há um irmão adventista, o Sr. Doni. À noite, ele e outras pessoas foram até a comunidade e conversamos. A conversa girou em torno de assuntos do interior, especialmente cobras, da lendária Cobra-Grande à misteriosa salamanta (que, apesar das histórias de ser extremamente violenta, sagaz, vingativa, uma pesquisa Google hoje me mostrou que é uma espécie de jiboia, que normalmente é mansa e não peçonhenta). Uma das histórias da Cobra-Grande diz que numa noite, um pescador certa vez viu uma luz vermelha vindo da curva de um rio, e depois surgiu outra luz vermelha, com uma distância boa entre elas, de forma que o pescador deduziu que se tratava de uma balsa (que são embarcações compridas que têm uma luz no começo e outra no final). Quando chegou mais perto, descobriu serem os dois olhos da Cobra-Grande. Essa história serve para mostrar o tamanho imenso que se acredita que esse animal tenha. Outra lenda indígena sobre o surgimento do rio Amazonas diz que certo vez há muito tempo, a lua estava no céu durante o dia, e ficou encantada e apaixonou-se pelo sol; entretanto o sol não deu bola para ela, de forma que ela chorou, chorou até que se formou o rio Amazonas. Na comunidade de Vila Fernandes, vi vários bois andando pela comunidade livremente como se estivessem na Índia. Perguntei de quem eram aqueles bois, e dona Lindalva me disse que eram da comunidade; antes havia um índio que morava ali e sabia domá-los para tirar leite, mas agora não havia ninguém que soubesse manejá-los e eles viviam soltos. No próximo dia, passei na comunidade de São Sebastião da Liberdade (ou Cupu), uma comunidade indígena. Fiz algumas aplicações de flúor mas não houve muito espaço porque aquela comunidade já era bem assistida na parte odontológica pelos órgãos do governo de apoio aos indígenas. Depois tomei outro barco e voltei a me juntar a equipe da Luzeiro na comunidade São Francisco do Camarão.

Gabriel

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

The Man Who Used to Fall

Em 2012, o Amazonas sofreu a maior enchente já registrada, e a ADRA atuou ajudando as populações ribeirinhas afetadas. Naquele ano, escrevi esse relato da experiência de ajudar um senhor em uma das comunidades; era para algum documento de pedido de ajuda da ADRA Internacional, mas creio que nunca foi publicado, então estou postando aqui.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Lança o Teu Pão Sobre as Águas

"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho". A Bíblia leva luz para povos em trevas e guia as pessoas no caminho de Deus. Na Amazônia, a diferença entre comunidades ribeirinhas que seguem e as que não seguem a Palavra de Deus é notável. Ordem, limpeza e uma paz no ambiente são os resultados se se seguir os ensinos das Escrituras. Em 2005, minha mãe me deu uma Bíblia Jovem Amigo, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, que foi fundamental na minha vida. Lia e marcava as passagens com cores diferentes de acordo com o assunto, e também anotava as referências cruzadas de texto com texto, nos rodapés, do Gênesis ao Apocalipse. Levei dois anos e dois meses, mas enfim concluí a leitura da Bíblia, e tinha um carinho muito grande por aquela Bíblia.
Na comunidade de Ponta Alegre, rio Andirá, quando fui em missão com a Southern Adventist University em março de 2009, num dos cultos com os índios, foi perguntado quantos tinham levado suas Bíblias. Lá havia uma igreja da época do Leo Halliwell, que estava em ruínas, sem teto, e os irmãos se reuniam em um barracão ao lado. O propósito da viagem era reestabelecer a presença adventista, e ajudar a planejar a reconstrução da igreja (que mais tarde foi reconstruída na cor favorita dos índios, cor de tucumã).

Equipe da Missão em Ponta Alegre
Tucumã, fruta regional da Amazônia

Igreja Adventista de Ponta Alegre Pronta!
As primeiras programações eram sobre saúde e atividades lúdicas para as crianças, mas depois, nos últimos dias da viagem, começamos a pregar a Bíblia com temas mais sérios. Então o pregador perguntou quantos tinham Bíblias. Dos poucos que levantaram as mãos, todos eram do grupo de missionários. Nenhum dos índios tinha Bíblia, ou não estava com ela na hora. Logo que começamos a ler um texto, um jovem se aproximou de mim e começamos a ler juntos a passagem na minha Bíblia (aquela especial para mim). Mesmo depois, ele continuou lendo ansiosamente o texto Sagrado, e ficou assim até o final do culto. Quando me devolveu, ele me perguntou se eu tinha alguma outra Bíblia. Eu percebi que ele estava querendo que eu desse a minha para ele, e disse que não. Tinha levado uma segunda Bíblia (que tinha sido minha primeira Bíblia da vida!) , mas já tinha dado para um vice-líder da comunidade que tinha me pedido. Aquela situação partiu meu coração. Então coloquei no meu coração que na próxima missão deveria levar uma caixa de Bíblias comigo. E assim foi. 

Na missão de junho de 2009, para o rio Negro, levamos uma caixa de Bíblias e doamos a todos que quisessem. Enfim, quando estávamos quase indo embora, uma canoa com uma família de ribeirinhos se aproximou do nosso barco, o Comte Shaloom, e pediu uma Bíblia. Já estávamos no fim da missão, e a caixa de Bíblias estava vazia. Então peguei minha Bíblia, toda marcada, que eu tinha o maior carinho, e dei. Foi triste e ao mesmo tempo feliz ver aquela família partindo pelo rio com a minha Bíblia querida. Lembrei daquele verso "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás." Eclesiastes 11:1. 
Família que chegou de repente, pediu uma Bíblia, e depois foi embora

Pode ser que ainda nessa Terra eu encontre essa Bíblia novamente, mas com certeza, no Céu, acharei os resultados desse Pão que foi lançado sobre as águas do rio Negro. (Obs.: se você que está lendo isso sabe onde está essa Bíblia, entre em contato para eu conseguir ela de volta, rsrs, ela está com meu nome inclusive, Gabriel Peixoto Franca 😁 ). Já ouvi histórias de pessoas que encontraram a Verdade na Bíblia depois achar o Livro Sagrado perdido ou abandonado em algum lugar. Um exemplo que estou lembrando agora é do Pr. Doug Batchelor, que encontrou uma Bíblia abandonada na caverna em que morava. Sua história está registrada no livro "O Milionário da Caverna"

Em janeiro de 2012, visitei com o Projeto Luzeiro algumas comunidades ribeirinhas Sateré-Mawé, e encontrei irmãos que compartilhavam a Palavra de Deus no próprio idioma Sateré. Seguem algumas fotos da Bíblia no idioma deles, chamada Tupana Ehay, na comunidade Nova Esperança.






Tupana Ehay
Nessa comunidade estava a antiga Luzeiro IX, já sem funcionar, um dos irmãos do local contou como trabalhou como ajudante nessa lancha e depois que ela saiu de uso fez de tudo para adquirir o barco.

Luzeiro IX
Luzeiro IX ao lado da Luzeirinho

Luzeiro IX

Luzeiro IX

Luzeiro IX

Na igreja, um irmão recebeu todos os voluntários muito cordialmente e disse que a igreja estaria sempre aberta para nós, "até porque não tinha portas mesmo".

"Essa igreja vai estar sempre aberta para vocês... até porque não tem portas mesmo né irmãos"


A igreja sempre aberta
Mais tarde, em 2015, Deus me mostrou de perto que uma Bíblia toda marcada pode ser muito importante para uma comunidade. Eu estava servindo o exército no pelotão de fronteira do município mais extremo norte do Brasil, em Uiramutã, Roraima. Lá existe fronteira com Guiana Inglesa e Venezuela. Fui à cidade perguntar sobre adventistas no local e fiquei sabendo que se reuniam num pequeno galpão ao lado de um mercado na cidade. No sábado, encontrei o grupo, que era em sua maioria de pessoas da Guiana (inglesa), então a programação era quase toda em inglês. O líder era o irmão Benedict, um guianês, da tribo Kopanan (ou Kopinang). Ele me convidou para pregar em inglês em um dos sábados. Por incrível que pareça eles não conheciam o hino "Oh Que Esperança!", ou "We Have This Hope!", então tive o prazer de ensinar para eles. O irmão me contou como um grupo de missionários tinha chegado a comunidade em que eles moravam na Guiana, e ensinado a palavra de Deus. Ele me mostrou uma Bíblia cheia de marcações, e com mais de 30 estudos bíblicos, que o missionário tinha dado para ele. Uma Bíblia bem usada. Tirei fotos dela e inclusive copiei vários dos estudos pra minha própria Bíblia.
Dedicatória

Kopaning (ou Kopanan) era o nome da tribo indígena Guianense

Os propietários, Joseph P. McWilliam e Melody S. Baer
A Bíblia

Tinha uma bonita dedicatória, traduzida mais ou menos assim: 
"Joe, meu filho, o círculo completo deu a volta. Seu bisavô Joe se tornou um missionário para a América do Sul no início da década de 1920; o Senhor abençoou o seu pai Joe com o trabalho de colportagem, e agora outro Joe está indo para os campos missionários; transmita o Senhor como folhas de outono; que o Senhor toque você e a Melody mentalmente, espiritualmente e fisicamente. 
Eles querem ver Jesus Cristo; 1 Cor 15:58, II Tim 1:7-9
Te amo. Pai. 18/Fev/2002".
 Encontrei o testemunho de Joe e Melody McWilliam no Youtube, e a história deles também aparece no livro "Mission Miracles" (pág. 27), de David Gates, mas não consegui fazer contato com eles. Se alguém souber de como, acho que eles vão ficar felizes de saber que a Bíblia deles continuou servindo de base para o irmão Benedict pregar no Brasil, provavelmente algo que eles nem imaginavam.  Deus cumpriu a promessa de 1 Coríntios 15:58, que o pai Joe mencionou.
"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. "
Gabriel